O Tesla Semi, o camião elétrico da Tesla, continua a enfrentar atrasos significativos e um aumento de preços que está a gerar preocupações entre os seus parceiros comerciais.
Apesar de ter sido anunciado em 2017 como uma revolução no transporte de mercadorias, o veículo ainda não entrou em produção em larga escala, e os custos associados estão a disparar.
Uma história de atrasos contínuos
Quando Elon Musk apresentou o Tesla Semi em 2017, prometeu que o camião estaria em produção até 2019. No entanto, essa meta foi repetidamente adiada. Em 2022, a Tesla chegou a entregar algumas unidades iniciais à PepsiCo como parte de um programa piloto. Mas, desde então, o progresso tem sido lento.
Apenas algumas dezenas de unidades foram produzidas numa fábrica piloto no Nevada, enquanto a Tesla constrói uma nova instalação dedicada à produção em massa do Semi. A empresa tinha como objetivo iniciar a produção em 2025 e atingir uma capacidade anual de 50 mil unidades. Contudo, novos desenvolvimentos sugerem que este cronograma poderá estar em risco.
Parceiros comerciais expressam frustração
Ryder, uma empresa de logística e um dos primeiros parceiros da Tesla no programa Semi, revelou recentemente mais atrasos e alterações significativas nos custos do projeto. Numa carta enviada ao Comité de Revisão para Redução da Poluição Móvel da Califórnia (MSRC), Ryder solicitou um adiamento adicional de 28 meses para implementar os camiões elétricos e as infraestruturas associadas.
A empresa também destacou “mudanças dramáticas na economia do produto”, referindo-se ao aumento substancial dos preços do Tesla Semi. Inicialmente, Ryder planeava adquirir 42 camiões para o projeto, mas agora reduziu esse número para apenas 18 unidades.
Preços fora do alcance?
Quando foi apresentado, o Tesla Semi tinha um preço base estimado entre $150 mil (para uma autonomia de 300 milhas) e $180 mil (para 500 milhas). No entanto, com os recentes aumentos de preços, estima-se que cada unidade possa agora custar entre $350 mil e $400 mil. Este aumento coloca o Semi muito acima dos valores típicos dos camiões a diesel Classe 8 nos Estados Unidos, que variam entre $150 mil e $220 mil.
Embora os custos operacionais mais baixos dos veículos elétricos pudessem justificar um preço inicial mais elevado, este aumento drástico levanta dúvidas sobre a viabilidade económica do Semi para muitas empresas.
Infraestruturas também sofrem alterações
Além dos camiões, Ryder está a ajustar os planos para as infraestruturas de carregamento associadas ao projeto. Inicialmente projetado para incluir quatro Megachargers (carregadores ultrarrápidos), o plano agora prevê a instalação de seis unidades com menor potência — 600kW em vez dos 750kW originalmente planeados.
Estas mudanças refletem não só os desafios técnicos enfrentados pela Tesla mas também as dificuldades financeiras impostas aos seus parceiros.
O futuro do transporte elétrico
O Tesla Semi foi concebido como uma solução inovadora para reduzir as emissões no setor dos transportes pesados. Contudo, os atrasos na produção e os aumentos de preços ameaçam comprometer o impacto revolucionário que o veículo poderia ter na indústria.
Para que o Semi se torne uma alternativa viável aos camiões tradicionais, especialistas acreditam que o preço deve situar-se entre $250 mil e $300 mil por unidade – algo que poderá ser alcançado com maior volume de produção. Até lá, a promessa inicial da Tesla permanece distante.
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