O Tesla Model Y, durante muito tempo o modelo mais vendido da marca de Elon Musk e peça-chave para o sucesso da empresa, atravessa uma fase difícil. O recente refresh do crossover elétrico, lançado globalmente em maio após uma estreia em janeiro, não conseguiu inverter a tendência de queda nas vendas, levantando dúvidas sobre a estratégia da Tesla e o apelo do seu portefólio atual.
Apesar de pequenas melhorias visuais, como a introdução de uma barra de luz inspirada no Cybertruck, o novo Model Y não trouxe grandes novidades em termos de tecnologia ou design que pudessem entusiasmar potenciais compradores. Os resultados já se fazem sentir em vários mercados, com descontos, empréstimos a baixas taxas de juro e entregas imediatas a tornarem-se comuns – um contraste gritante com as longas listas de espera do passado.

Dados de vendas preocupantes nos EUA e Europa
Segundo o mais recente relatório da Kelley Blue Book, as vendas da Tesla nos Estados Unidos caíram 9% no primeiro trimestre de 2025. O lançamento do Model Y renovado não trouxe o impacto esperado: as vendas do modelo caíram 15% no segundo trimestre, ano após ano. No total, a Tesla vendeu 384.122 veículos no segundo trimestre, uma descida de quase 15% face ao ano anterior.
A situação repete-se na Europa, onde os números são ainda mais dramáticos. Em Portugal, as vendas da Tesla caíram 68% em maio comparativamente ao mesmo mês do ano passado. Em mercados como a Suécia, a quebra foi de 53,7%. Apenas a Noruega contrariou a tendência, com um aumento de 213% nas vendas, mas este é um caso isolado num cenário europeu maioritariamente negativo.
Além disso, a Tesla está a operar com fábricas a apenas 70% da sua capacidade, de acordo com o The New York Times, o que reforça a ideia de procura insuficiente.
Analistas divididos sobre as causas do insucesso
Vários analistas apontam a popularidade em queda de Elon Musk como um dos fatores para o desinteresse crescente dos consumidores. Outros defendem que o declínio se deveu a uma redução temporária de inventário, enquanto a produção mudava para o novo modelo, com muitos clientes a adiarem a compra até à chegada do refresh.
No entanto, a análise da Cox Automotive mostra que a queda nas vendas da Tesla nos EUA foi mais do dobro do recuo do mercado de veículos elétricos em geral (15% vs. 6,3%), o que indica um problema específico da marca, e não apenas do segmento.
Apesar de tudo, o Model Y mantém uma quota de mercado dominante de 28% entre os veículos elétricos nos EUA, provando que o modelo ainda tem peso, mas está longe do dinamismo de outros tempos.
O que falhou no refresh do Model Y?
A Tesla optou por uma atualização modesta, sem grandes alterações no design ou inovações tecnológicas de relevo. A aposta numa “reestilização” pouco ambiciosa não foi suficiente para entusiasmar o mercado, que procura cada vez mais propostas inovadoras, personalizáveis e tecnologicamente avançadas.
O segmento dos veículos elétricos tornou-se altamente competitivo, com marcas como a Xiaomi, Hyundai, BYD e outras a investirem fortemente em novos modelos, funcionalidades e preços agressivos. A Tesla, por sua vez, parece ter perdido o ritmo, apostando numa renovação demasiado conservadora para um público exigente.
Futuro incerto e a necessidade de uma resposta forte
A travessia do deserto do Model Y é um sinal de alerta para a Tesla. A marca precisa de repensar a sua estratégia, apostar em inovações reais e responder ao apelo dos consumidores por novidades. O mercado já não responde apenas ao nome Tesla ou à figura de Elon Musk; exige qualidade, diferenciação e valor acrescentado.
Se a Tesla quiser recuperar o protagonismo e voltar a surpreender, terá de ir além de simples reestilizações e apresentar soluções que voltem a colocar a marca na liderança do segmento elétrico.






















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