A vida de um beta tester do Android é uma montanha-russa. Num dia, estás a experimentar as funcionalidades mais recentes do mundo; no outro, o teu precioso Pixel transforma-se num pisa-papéis caro, preso no temido “loop da morte” de reinicializações infinitas. Foi exatamente este o pesadelo que se abateu sobre muitos entusiastas na semana passada, quando a Google lançou e, em menos de 24 horas, retirou apressadamente a desastrosa atualização Android 16 QPR2 Beta 3. Agora, a cavalaria chegou. A Google acaba de lançar a Beta 3.1 com a promessa de resolver o problema. Mas há um problema cruel: a cura não é para quem está doente.
Numa reviravolta que parece saída de um guião de comédia trágica, a nova atualização foi desenhada para ser instalada apenas por quem não instalou a versão anterior. Para as vítimas que já estão com o telemóvel avariado, a Google oferece um conjunto de soluções que vão desde a esperança paciente até ao temido “reset nuclear”.

A reviravolta cruel: a atualização que não podes instalar
A lógica por detrás da decisão da Google é puramente técnica, mas o resultado prático é frustrante. A nova atualização Android 16 QPR2 Beta 3.1 foi disponibilizada apenas para os dispositivos que ainda estão a correr a versão estável anterior, a Beta 2. O objetivo é permitir que estes utilizadores saltem em segurança por cima da “mina terrestre” que era a Beta 3, passando diretamente para uma versão corrigida.
Isto significa que, se foste um dos azarados que instalou a Beta 3 e agora tens um Pixel que não arranca, o teu telemóvel não vai conseguir detetar nem instalar esta nova atualização de salvação. Foste deixado para trás, preso no limbo do bootloop, e a tua jornada para recuperar o teu dispositivo será significativamente mais complicada.
O guia de sobrevivência para os “caídos em combate”
Se o teu Pixel é uma das vítimas, não desesperes (pelo menos para já). A Google delineou um plano de recuperação com várias opções, com diferentes níveis de complexidade e risco. A boa notícia é que as primeiras opções não apagam os teus dados. A má notícia é que, se falharem, a única saída é a mais dolorosa de todas.
Opção 1: A Oração da Paciência Segundo a Google, a “melhor opção” é, ironicamente, não fazer nada. Deixa o teu telemóvel tentar reiniciar-se repetidamente. O sistema do Pixel tem um mecanismo de segurança chamado partição A/B, que funciona como um “plano B”. Se o telemóvel falhar o arranque a partir da partição principal (a que foi corrompida pela atualização) várias vezes seguidas, ele deverá, automaticamente, desistir e tentar arrancar a partir da partição secundária, que ainda contém a versão estável anterior (a Beta 2). É a solução mais limpa, mas requer paciência e um pouco de fé.
Opção 2: A Via do “Hacker” (se tiveres sorte) Se a paciência não resultar, a próxima opção é mais técnica. Podes ligar o teu Pixel a um computador e instalar manualmente (“sideload”) a nova atualização Beta 3.1 através de comandos ADB. No entanto, há um pré-requisito crucial: só podes fazer isto se já tinhas a opção de “depuração USB” ativada nas definições de programador antes de o telemóvel avariar. Se não tinhas, esta porta está fechada para ti.
Opção 3: O Botão Vermelho: O Reset Nuclear Se nenhuma das opções acima funcionar, só te resta o último recurso, a opção que ninguém quer usar: o restauro de fábrica. Terás de arrancar o telemóvel em modo de recuperação e apagar tudo. Sim, vais perder todos os teus dados que não estavam sincronizados na nuvem – fotografias, mensagens, ficheiros, tudo. O telemóvel voltará a funcionar, mas regressará ao estado em que estava quando o tiraste da caixa pela primeira vez.
O caminho para a estabilidade
Esta saga atribulada é um lembrete duro dos riscos inerentes a um programa beta. A Google, por sua vez, continua a sua marcha em direção ao lançamento estável do Android 16 QPR2, previsto para dezembro. É provável que, nas próximas semanas, ainda venha a ser lançada mais uma versão beta para corrigir os restantes bugs, antes de a atualização final chegar a todos os utilizadores. Para os que sobreviveram à Beta 3, essa será, certamente, uma atualização que vão esperar com uma dose extra de cautela.






















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