A nova arma da Honor é um gama-média com duas câmaras de 200MP

A guerra dos megapíxeis está prestes a entrar numa fase nuclear, e a Honor está a preparar-se para lançar a bomba. Numa altura em que o mercado de topos de gama debate quem será o primeiro a implementar um sistema de câmara duplo de 200MP, uma nova fuga de informação sugere que a Honor está a planear uma jogada de mestre: levar essa tecnologia primeiro, não para um flagship de 1500€, mas sim para um telemóvel de gama-média.

É uma estratégia de disrupção total. Enquanto gigantes como a Samsung e a Huawei estão, alegadamente, a guardar esta tecnologia para os seus modelos “Ultra”, a Honor está a testar um “telemóvel mistério” que visa democratizar a fotografia de elite. Se se confirmar, esta jogada pode tornar obsoleta a justificação para comprar um topo de gama, redefinindo por completo o que esperamos de um telemóvel de preço acessível.

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O que é um sistema de câmara “duplo 200MP”?

A fuga de informação, vinda do reputado leaker Digital Chat Station, detalha um sistema que parece ficção científica para um gama-média. A Honor está a testar ativamente um telemóvel que combina:

  1. Uma câmara principal de 200MP, baseada num novo sensor (o SK5HPE, uma versão melhorada do Samsung HP9).
  2. Uma câmara periscópica de 200MP, com um sensor de 1/1.4 polegadas.

Esta segunda câmara é a verdadeira revolução. Ter um sensor de 200MP numa lente periscópica é a chave para o “zoom perfeito”. Permite não só um zoom ótico de alta qualidade, mas também um zoom digital quase sem perdas a 5x ou 10x, simplesmente ao cortar a imagem massiva de 200MP. É uma tecnologia que, até agora, estava reservada aos telemóveis mais caros do planeta, e a Honor quer colocá-la num dispositivo para as massas.

O milagre da engenharia: como é que isto cabe num gama-média?

A primeira pergunta que surge é: como é que a Honor vai conseguir enfiar dois sensores gigantes e uma lente periscópica num telemóvel de gama-média, que, por definição, tem de ser mais barato de produzir e, idealmente, mais fino?

A resposta, segundo o leaker, está na própria tecnologia do sensor. Tanto o novo sensor principal SK5HPE como o sensor da periscópica são, alegadamente, mais pequenos e ocupam menos espaço interno do que as soluções atuais. Este é o verdadeiro avanço de engenharia. A Honor não está apenas a usar componentes de topo; está a usar componentes de próxima geração que são mais eficientes, mais rápidos a processar a imagem e, crucialmente, mais compactos.

Isto resolve dois problemas de uma só vez:

  • O Custo: Sensores mais pequenos e eficientes são, a prazo, mais baratos de produzir e integrar.
  • O Design: Permite que a Honor evite a “protuberância” monstruosa da câmara que vemos nos flagships atuais, mantendo o design elegante que é uma imagem de marca da série Reno (da Oppo) ou das próprias linhas de gama-média da Honor.

O futuro da fotografia de gama-média está a ser reescrito

Embora a Honor já tenha no horizonte o lançamento das séries GT 2 e Honor 500, esta fuga de informação aponta para uma nova linha de gama-média misteriosa, prevista para o próximo ano.

Esta estratégia é um golpe de mestre. A Honor está a sinalizar ao mercado que não precisa de ser o “Magic 8 Ultra” para ter a melhor câmara. Ao focar-se em levar a tecnologia de câmara mais avançada para um segmento de preço inferior, está a atacar diretamente o ponto mais lucrativo da Samsung (linha Galaxy A) e da Xiaomi (linha Redmi Note Pro).

Para o consumidor, a notícia é espetacular. O tempo em que era preciso pagar mais de 1000€ para ter um zoom de periscópio de qualidade pode estar prestes a terminar. E, ao que tudo indica, será a Honor a disparar o primeiro tiro.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.