É oficial e, para muitos, um autêntico balde de água fria: a Netflix decidiu não renovar Terminator Zero para uma segunda temporada. Se estavas à espera de ver a continuação da guerra entre humanos e máquinas no formato anime, temos más notícias. O showrunner da série, Mattson Tomlin, confirmou recentemente nas redes sociais que a produção foi cancelada, deixando os fãs da saga de ficção científica com um sabor amargo na boca.
A série, que estreou em agosto de 2024, trouxe uma lufada de ar fresco a uma franquia que tem tido dificuldades em encontrar o seu caminho no grande ecrã nos últimos anos. Com uma animação de alta qualidade a cargo da prestigiada Production I.G e uma narrativa que se afastava dos clichés habituais da família Connor, Terminator Zero parecia ter tudo para vingar. No entanto, no mundo do streaming, as boas críticas nem sempre são suficientes para garantir a sobrevivência de um projeto.

O veredito cruel dos números e da audiência
Como já deves ter percebido por outros casos semelhantes, a Netflix é implacável quando se trata de analisar o retorno sobre o investimento. Mattson Tomlin explicou de forma bastante transparente que, embora a série tenha sido bem recebida por quem a viu, o volume total de espectadores não atingiu as metas necessárias. Em termos simples: não houve gente suficiente a ver a série para que a “corporação” pudesse justificar os gastos elevados que uma produção desta escala exige.
A produção de anime de alta fidelidade é um processo caro e moroso, e a Netflix esperava que a marca Terminator atraísse uma massa crítica de subscritores logo nos primeiros dias. Infelizmente, a realidade foi diferente. O algoritmo e as métricas de retenção falaram mais alto, e o botão de “cancelar” foi premido antes mesmo de a história poder expandir-se para os horizontes que Tomlin tinha delineado para o futuro da narrativa.
O choque cultural entre gerações de fãs
Um dos pontos mais interessantes levantados pelo criador da série prende-se com o público-alvo. Tomlin referiu que existiu uma espécie de “falha de comunicação” demográfica. Por um lado, tens o público habitual de anime, que tende a ser mais jovem e está sempre à procura de novas estéticas e linguagens visuais. Por outro, tens a base de fãs de Terminator, composta maioritariamente por pessoas que cresceram com os filmes originais de James Cameron e que já pertencem a uma faixa etária mais madura.
Terminator Zero tentou posicionar-se exatamente no meio destes dois mundos, pedindo a ambos que se encontrassem a meio caminho. O problema é que esse encontro não aconteceu com a força necessária. Os fãs mais velhos podem ter sentido alguma resistência ao formato de animação japonesa, enquanto os jovens adeptos de anime podem não ter sentido uma ligação forte o suficiente com uma franquia que nasceu nos anos 80. Esta fragmentação acabou por ditar o destino da série.
O que perdemos com o fim desta visão de Skynet
É impossível não sentir uma certa frustração ao saber que Mattson Tomlin já tinha planos concretos para as temporadas 2 e 3. A ideia era mergulhar profundamente na “Guerra Futura”, um cenário que os fãs sempre quiseram ver explorado com detalhe e que os filmes raramente conseguiram retratar de forma satisfatória. Estávamos prestes a ver como a inteligência artificial Kokoro se iria comportar perante a ameaça da Skynet e qual seria o papel da humanidade neste conflito tecnológico.
Apesar deste desfecho infeliz, o showrunner deixou uma nota de gratidão. Ele sublinhou que está satisfeito com a forma como a primeira temporada consegue manter-se de pé como uma história fechada, sem deixar ganchos insuportáveis que nunca teriam resolução. Se ainda não viste, vale a pena dar uma oportunidade pelos seus próprios méritos, mesmo sabendo que o caminho termina aqui. É um exemplo raro de como tratar uma propriedade intelectual clássica com respeito, embora o mercado atual nem sempre premeie a audácia artística.


























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