A China está a tentar recuperar a confiança dos investidores na sua indústria tecnológica e, em particular, nas empresas ligadas à inteligência artificial. Depois de meses de quedas nas bolsas, uma forte entrada de capital em fundos de investimento associados aos mecanismos de estabilização do mercado ajudou a impulsionar os principais índices tecnológicos chineses.
Segundo a Lusa, através do Notícias ao Minuto, nove fundos cotados em bolsa (ETF) receberam entradas líquidas de aproximadamente 11.500 milhões de dólares na terça-feira, 3 de novembro. É o segundo maior valor diário já registado para este conjunto de fundos, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O que precisas de saber
- Nove ETFs associados à estabilização dos mercados chineses receberam cerca de 11.500 milhões de dólares num dia.
- Os índices tecnológicos Star 50 e ChiNext subiram 9,9% e 6,4%, respetivamente, na sessão de quarta-feira.
- As compras podem aliviar a pressão sobre as ações, mas não garantem que as empresas de IA consigam rentabilizar os investimentos.

A chamada equipa nacional muda o foco para a tecnologia
No mercado chinês, a expressão «equipa nacional» identifica um conjunto de entidades financeiras apoiadas pelo Estado que costuma intervir em momentos de grande instabilidade. Desta vez, o dinheiro concentrou-se de forma invulgar em fundos ligados aos índices Star 50, da bolsa de Xangai, e ChiNext, de Shenzhen, onde estão representadas várias empresas de setores tecnológicos estratégicos.
O fundo Star 50 da ChinaAMC recebeu cerca de 1.700 milhões de dólares e um ETF da EFund ligado ao ChiNext captou aproximadamente 1.400 milhões. É importante distinguir entradas líquidas nos fundos de compras comprovadamente realizadas pelo Governo: os fluxos são observáveis, mas não identificam necessariamente todos os investidores responsáveis.
A reação dos mercados foi expressiva. Na quarta-feira, 4 de novembro, o Star 50 avançou 9,9%, o ChiNext ganhou 6,4% e o CSI 300, índice mais abrangente das grandes empresas chinesas, valorizou 2,3%. O movimento interrompeu uma sequência de forte pressão sobre as ações tecnológicas.
Por que razão a inteligência artificial perdeu o entusiasmo?
Os investidores estão a questionar o tempo necessário para recuperar os enormes investimentos em centros de dados, semicondutores e desenvolvimento de modelos de IA. A tecnologia continua a atrair capital, mas nem todas as empresas conseguem transformar crescimento e expectativas em lucros sustentáveis.
O Financial Times relata que o CSI 300 perdeu mais de 11% desde o início do ano e que o Star 50, depois de ganhos expressivos, regressou a terreno negativo. O receio não é que a IA deixe de ter importância, mas que as avaliações bolsistas tenham avançado mais depressa do que os resultados das empresas.
Para Pequim, a questão vai além da bolsa. A capacidade de financiar fabricantes de chips e novas plataformas de inteligência artificial é também uma prioridade industrial, numa altura de crescente competição tecnológica internacional.
O apoio público resolve o problema?
O banco central chinês também anunciou condições de financiamento mais favoráveis para apoiar a recompra de ações e operações destinadas a melhorar a liquidez do mercado. São instrumentos que podem estabilizar as cotações no curto prazo, mas não substituem clientes, receitas e lucros nas empresas beneficiadas.
O desempenho das próximas semanas ajudará a perceber se a recuperação tem continuidade. Para quem acompanha a tecnologia chinesa, esta intervenção mostra que a corrida à IA se disputa também através do financiamento das empresas. A entrada de capital pode recuperar alguma confiança; demonstrar que os investimentos fazem sentido económico continua a ser o desafio maior.




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