A Mercedes pegou no seu mais recente e radical protótipo elétrico, o GT XX, levou-o até à icónica pista de testes de alta velocidade de Nardò, em Itália, e regressou com uma série de recordes que redefinem os limites da resistência para os veículos elétricos. O feito mais impressionante? Percorrer uma distância equivalente à da circunferência da Terra em menos de oito dias.
Numa clara homenagem ao clássico de Júlio Verne, “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, a marca alemã decidiu encurtar drasticamente o prazo, demonstrando que a era dos elétricos lentos e com pouca autonomia é uma memória distante. Este não foi apenas um teste; foi uma maratona de alta velocidade, dia e noite, que não só estabeleceu novas marcas, como também deixou a concorrência a uma distância embaraçosa.

Um novo recorde para a história: 40.075 km em 7 dias e 13 horas
O objetivo era ambicioso: percorrer os 40.075 quilómetros do equador terrestre no menor tempo possível. E a equipa da Mercedes conseguiu-o. Em exatamente 7 dias, 13 horas, 23 minutos e 7.10 segundos, o GT XX completou a sua “volta ao mundo”, circulando sem parar na pista circular de 12,5 km de Nardò, num total de 3.177 voltas.
Pelo caminho, o protótipo aproveitou para esmagar outros recordes. A marca de distância percorrida em 24 horas, que pertencia ao XPeng P7 com 3.961 km, foi completamente pulverizada. Com o apoio total da marca, carregadores ultrarrápidos e uma pista perfeita, o GT XX conseguiu percorrer uns impressionantes 5.479 km no mesmo período de 24 horas, quase 1.500 km a mais do que o recorde anterior.
A máquina por trás do feito: 1.360 cv e um carregamento de outro mundo
O que é que torna um carro capaz de uma proeza destas? O Mercedes-AMG GT XX é um protótipo de quatro portas que leva a tecnologia elétrica ao extremo. Equipado com dois motores de fluxo axial, debita uma potência combinada de 1.360 cavalos, o suficiente para o catapultar até uma velocidade máxima de 359 km/h.
Mas a potência, por si só, não chega para bater recordes de resistência. O verdadeiro segredo está na sua bateria de 114 kWh e, mais importante ainda, na sua capacidade de carregamento. O GT XX é capaz de carregar a uma potência contínua de 850 kW. Para se ter uma ideia do que isto significa, consegue adicionar cerca de 400 km de autonomia em apenas 5 minutos. É uma velocidade que supera até os carregadores de 600 kW usados a meio da corrida na Fórmula E, e que torna as paragens nas boxes incrivelmente curtas.

A estratégia: velocidade máxima e dois carros para a maratona
Para um teste desta magnitude, a Mercedes não deixou nada ao acaso. Os engenheiros calcularam que a estratégia ideal para equilibrar a eficiência energética com a velocidade de carregamento seria manter o carro a uma velocidade constante de 300 km/h na pista inclinada de Nardò até precisar de recarregar.
Para garantir a fiabilidade e a recolha de dados, a marca não usou um, mas sim dois protótipos do GT XX, que completaram o mesmo teste exaustivo em simultâneo. Ambos terminaram a maratona com uma distância percorrida muito semelhante, provando a consistência e a durabilidade do projeto. Durante quase oito dias, os motores e as baterias destes carros foram submetidos a um stress contínuo, com uma quantidade colossal de energia a entrar e a sair, e, segundo a Mercedes, aguentaram o desafio sem qualquer problema.
O que significa este recorde para o futuro?
É verdade que um carregamento de 850 kW não é algo que vás encontrar no posto de serviço da tua rua nos próximos tempos. No entanto, este recorde é muito mais do que uma simples demonstração de força. É uma prova de conceito que destrói muitos dos mitos e das “limitações” que ainda se associam aos veículos elétricos.
A Mercedes demonstrou que as barreiras da velocidade de carregamento e da resistência a alta velocidade não são, na realidade, barreiras tecnológicas, mas sim questões de infraestrutura e de custo que serão ultrapassadas com o tempo. Ao fazê-lo, a marca não só estabeleceu um novo padrão de desempenho para os seus futuros modelos, como também enviou uma mensagem clara a toda a indústria: o futuro dos carros elétricos de alta performance já chegou, e é incrivelmente rápido.






















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