X sob fogo: Diretor admite manipulação e “créditos de visualização” que silenciam criptomoedas

O X (antigo Twitter) transformou-se novamente num campo de batalha digital, mas desta vez a guerra é interna. A plataforma enfrenta duras críticas por parte da comunidade de criptomoedas e a resposta da chefia apenas deitou mais lenha na fogueira. No centro da tempestade está Nikita Bier, diretor de produto do X, que numa tentativa de defesa acabou por revelar um mecanismo controverso de manipulação de visibilidade: os “créditos de visualização”.

A polémica surge num momento em que muitos utilizadores se queixam de que o algoritmo “Para Ti” ignora os seus interesses reais, preferindo inundar os feeds com propaganda política e conteúdo polémico, em detrimento dos tópicos que os utilizadores realmente seguem, como o mercado cripto.

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A “gafe” de Nikita Bier e o conflito de interesses

As queixas avolumaram-se: utilizadores ativos no espaço das criptomoedas notaram um “apagão” repentino, deixando de ver conteúdos de contas que seguiam religiosamente. As atenções viraram-se para Nikita Bier, que, além de ser executivo no X, mantém uma posição como conselheiro na Solana. Este aparente conflito de interesses levantou suspeitas de que conversas sobre outras criptomoedas estariam a ser deliberadamente abafadas.

Pressionado pelas acusações, Bier tentou justificar-se, mas acabou por revelar um detalhe técnico que se apressou a apagar: a existência de um sistema de racionamento de visibilidade.

O sistema de “Créditos de Visualização”

Segundo a explicação (entretanto eliminada) do diretor, o X atribui um limite de visibilidade às publicações dos utilizadores, funcionando como um saldo diário que se gasta.

A revelação mais chocante foi a de que a interação excessiva pode ser prejudicial. Bier sugeriu que quem faz muitos comentários arrisca-se a gastar os seus créditos, resultando num cenário onde, quando finalmente decidem fazer uma publicação própria, esta não é mostrada a ninguém porque o “orçamento” de visibilidade já foi consumido.

Esta lógica cria um incentivo perverso: para seres visto, deves interagir menos. Isto contradiz a essência de uma rede social e confirma os piores receios dos criadores de conteúdo: ter milhares de seguidores não garante que a mensagem chegue a alguém, pois o X alega que os utilizadores só têm capacidade para ver “20 a 30 publicações por dia”.

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A promessa de Elon Musk: Código aberto em 7 dias?

Com a comunidade em revolta e a credibilidade do algoritmo em mínimos históricos, Elon Musk interveio com a sua cartada habitual. O proprietário da plataforma prometeu disponibilizar o algoritmo do X como open-source já no próximo dia 17 de janeiro.

O objetivo é trazer transparência e provar (ou desmentir) as teorias sobre manipulação política e supressão de tópicos. Resta saber se esta promessa será cumprida no prazo ou se, tal como o sistema de créditos, a visibilidade sobre o funcionamento interno do X continuará a ser racionada.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.