Dua Lipa processa Samsung em 15 milhões por roubo de imagem

A Samsung está metida num imbróglio legal que cruza os corredores da indústria tecnológica com o mundo da música pop. A cantora Dua Lipa avançou com um processo de 15 milhões de dólares contra a gigante sul-coreana, alegando que a sua imagem foi usada sem qualquer permissão para promover televisões da marca.

Mas a Samsung não baixou a cabeça e já apontou o dedo a um culpado muito conveniente: um parceiro de conteúdos terceirizado que, alegadamente, falhou nas suas obrigações.

O que precisas de saber

  • Processo milionário: Dua Lipa exige 15 milhões de dólares à Samsung por violação de direitos de autor em campanhas de marketing.
  • A defesa da marca: A Samsung rejeita uso intencional e atira as culpas para um fornecedor do serviço de streaming Samsung TV Plus.
  • Avisos ignorados: A equipa da artista enviou uma ordem de cessação em junho de 2025, mas a imagem continuou a ser utilizada.
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Como é que a foto foi parar às caixas?

A Samsung defende-se com unhas e dentes, garantindo que o uso da foto da cantora não passou de um enorme erro de comunicação. A tecnológica afirma que a imagem foi fornecida em 2025 para refletir os conteúdos disponíveis no seu serviço gratuito, o Samsung TV Plus.

A cartada final da fabricante é simples: dizem ter recebido “garantias explícitas” desse parceiro de que todos os direitos tinham sido acautelados, incluindo para impressão nas caixas de retalho. Parece a clássica manobra corporativa de empurrar as culpas para quem está mais abaixo na cadeia, mas a equipa jurídica da artista não comprou a desculpa.

Ignorar os avisos saiu caro

O detalhe mais escandaloso deste caso não é o erro inicial no licenciamento, mas sim a teimosia em corrigi-lo atempadamente. Dua Lipa detém a totalidade dos direitos de autor da fotografia em questão e os seus advogados não perderam tempo.

Logo em junho de 2025, enviaram um aviso de cessação à Samsung. O resultado? A empresa manteve a inércia e continuou a usar a imagem para seu benefício financeiro. Agora, a fatura chegou e traz sete zeros.

Acordo à vista?

Apesar do braço de ferro inicial, a Samsung já veio a público adotar um tom bem mais conciliatório. Em comunicado, a marca assumiu estar aberta a uma “resolução construtiva” com a equipa da popstar.

Não é a primeira vez que a tecnológica tem de abrir os cordões à bolsa por deslizes semelhantes. Em 2016, a lenda do futebol Pelé processou a empresa em 30 milhões por usar um sósia num anúncio, um processo que acabou por ser arquivado em 2018 após um acordo extrajudicial.

O impacto no ecossistema e na marca

Do ponto de vista prático, nada disto afeta o teu ecossistema Android ou o lançamento do próximo flagship da marca. A tua Smart TV e o teu telemóvel vão continuar a funcionar exatamente da mesma forma.

No entanto, para a Samsung, é um tropeção reputacional e financeiro embaraçoso. Numa altura em que a marca investe fortemente numa imagem premium e no desenvolvimento de inteligência artificial de ponta, ver a sua máquina de marketing falhar na validação básica de direitos de imagem de uma estrela global é grave. O episódio prova que até os maiores titãs da indústria mobile têm burocracias internas desleixadas. Resta à marca preparar a carteira para resolver o assunto fora dos tribunais.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.