Como domar o tempo de ecrã dos miúdos com a Google

As férias chegaram em força e o cenário em muitas casas é o do costume: miúdos completamente colados aos ecrãs desde que acordam até à hora de jantar. É um autêntico pesadelo tentar equilibrar o merecido descanso com o que parece ser um vício digital interminável.

A boa notícia é que não precisas de arrancar o cabo do router à força nem esconder o tablet no armário. O ecossistema Android está artilhado com ferramentas nativas que te permitem gerir o caos tecnológico sem assumires o papel de vilão lá da casa.

O que precisas de saber

  • Family Link é a tua arma secreta: Permite definir limites de tempo diários, bloquear apps específicas e até agendar a hora de dormir remotamente.
  • Filtro na Play Store: A loja de aplicações tem um separador “Aprovado por professores” para garantir que o tempo gasto no ecrã tem efetiva utilidade educativa.
  • Perfis blindados: O YouTube Kids e o Google TV oferecem espaços dedicados que filtram conteúdo inadequado de forma automática.
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O Family Link é muito mais que um radar

Muitos utilizadores ainda olham para o Family Link apenas como uma app para rastrear a localização do smartphone dos filhos. A realidade é que esta ferramenta é o teu verdadeiro painel de controlo. A interface pode por vezes sofrer daquela habitual confusão de menus da Google, mas o nível de controlo é absurdo.

Podes aprovar ou rejeitar downloads da Play Store em tempo real. Se está na hora do jantar, um simples toque no teu telemóvel bloqueia o ecrã do dispositivo da criança. É drástico? Talvez. Mas funciona na perfeição para quebrar o ciclo de scroll infinito.

Play Store e a difícil tarefa de separar o trigo do joio

Deixar uma criança navegar livremente pela Play Store é um convite a downloads de jogos duvidosos carregados de microtransações. É aqui que o selo “Aprovado por professores” ganha peso.

A Google fez o trabalho de casa e destacou apps avaliadas por especialistas em educação. Isto significa que, quando eles quiserem instalar algo novo, podes direcioná-los para um catálogo onde encontram puzzles reais, apps de lógica e ferramentas criativas, em vez do enésimo clone manhoso de um jogo de corridas.

O algoritmo não é perfeito, mas o YouTube Kids ajuda

Não há volta a dar: o YouTube normal é um campo minado de distrações e conteúdo que não interessa a ninguém com menos de 10 anos. A solução passa obrigatoriamente por forçar a utilização do YouTube Kids e criar perfis infantis no Google TV da sala.

Estas sandboxes digitais limitam drasticamente o que é sugerido nos ecrãs. Claro que nenhum algoritmo substitui a supervisão humana – de vez em quando ainda passa um vídeo com um tom mais irritante –, mas filtra 90% do lixo digital, deixando-te respirar um pouco melhor enquanto bebes o teu café.

O impacto no ecossistema familiar

É o fim da culpa constante em relação aos ecrãs. A tecnologia faz parte do dia a dia e o Android já te entrega a faca e o queijo para gerires esta dieta digital.

O setup inicial do Family Link e a configuração dos perfis no Google TV dão algum trabalho e vão exigir-te uns bons minutos de volta das definições. No entanto, a paz de espírito que ganhas ao saber que o tablet se vai desligar sozinho às 21h00 vale o esforço. O segredo não é proibir o acesso, é controlar a torneira.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.