Novo chip da Huawei prova que o bloqueio dos EUA falhou

As sanções norte-americanas deviam ter asfixiado a Huawei e atrasado a China na corrida aos semicondutores. O resultado? O feitiço virou-se contra o feiticeiro. A marca de Shenzhen acaba de anunciar uma nova arquitetura de chips que ignora as restrições e acelera a criação de um ecossistema tecnológico totalmente independente.

O que precisas de saber

  • Fintar o sistema: A Huawei desenvolveu uma tecnologia chamada “LogicFolding” para contornar a falta de acesso a máquinas de litografia de última geração.
  • Tiro pela culatra: A agressividade dos EUA apenas serviu para forçar a China a construir a sua própria supply chain de semicondutores a um ritmo recorde.
  • Calendário apertado: Os primeiros processadores Kirin com esta nova estrutura arquitetónica estão previstos chegar já no próximo outono.
huawei espanha

O “obrigado” mais irónico da indústria mobile

Washington assumiu que o corte ao hardware de ponta ia congelar a inovação chinesa no tempo. Na prática, aconteceu exatamente o oposto. A enorme pressão exercida sobre o mercado forçou a Huawei a canalizar rios de dinheiro para I&D interno.

O próprio chairman da Huawei teve a audácia de agradecer publicamente o bloqueio americano, afirmando que, sem essa asfixia inicial, nunca teriam sido forçados a construir uma cadeia de produção própria e tão robusta. É, sem margem para dúvidas, o maior “plot twist” na guerra comercial da última década.

Como é que eles estão a contornar o ban?

Sem acesso aos equipamentos de litografia ultravioleta extrema (EUV) da ASML, a Huawei teve de mudar as regras do jogo. Em vez de insistirem na miniaturização tradicional dos transístores, os engenheiros da gigante chinesa focaram-se numa abordagem de arquitetura empilhada.

Na prática, isto significa compensar o uso de processos de fabrico mais antigos com um design de chip incrivelmente complexo. O LogicFolding promete reduzir o atraso de sinal e aumentar a densidade dos transístores a pique. A promessa é brutal: atingir uma capacidade equivalente aos desejados 1.4 nanómetros até 2031. Sabendo do histórico da Huawei a operar sob pressão, não é sensato apostar contra eles.

O impacto no teu próximo smartphone

Para quem quer apenas comprar um flagship no final do ano, a guerra geopolítica dos nanómetros parece invisível. Mas o impacto ditará os teus próximos anos de consumo mobile. A indústria está a dividir-se em dois universos: o bloco ocidental ancorado à TSMC e o bloco chinês altamente autossuficiente e impulsionado pela Huawei e pela SMIC.

Se estes novos chips empilhados conseguirem oferecer poder de fogo sem fritar a bateria dos equipamentos, os próximos grandes lançamentos da Huawei voltam imediatamente ao topo da cadeia alimentar. Washington tentou travar o comboio chinês, mas tudo o que conseguiu foi obrigá-los a construir carris novos, mais rápidos e que não dependem do ocidente.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.