Novo Galaxy Watch Ultra 2 desilude na autonomia da bateria

A Samsung acaba de revelar os seus novos smartwatches no último evento Unpacked, mas as especificações oficiais estão a deixar a comunidade Android com a pulga atrás da orelha. A marca sul-coreana fez um upgrade gigante à capacidade da bateria do Galaxy Watch Ultra 2, saltando de uns simpáticos 590mAh para uns impressionantes 800mAh (um aumento de 35%). E qual é o resultado disto na vida real? Aparentemente, zero.

A documentação da Samsung continua a prometer as mesmas 60 horas de uso (com o Always-On Display ligado) que a geração anterior oferecia. Afinal, onde foi parar a energia extra?

O que precisas de saber

  • O Galaxy Watch Ultra 2 recebeu um aumento de 35% na bateria (para 800mAh), mas a Samsung promete o mesmo tempo de uso (60 horas) da versão original.
  • A mudança para o novo processador Snapdragon Wear Elite pode ser a principal causa deste problema de eficiência energética.
  • A nova linha Galaxy Watch 9 também viu a sua capacidade aumentar ligeiramente, mas a promessa de autonomia continua cravada nas 40 horas, sem ganhos aparentes.
samsung galaxy watch snapdragon wear elite

O culpado será o Snapdragon?

A grande mudança debaixo do capô dos novos relógios é a troca do processador Exynos W1000 pelo novo Snapdragon Wear Elite da Qualcomm. Inicialmente, esperava-se que esta mudança de arquitetura pudesse melhorar a eficiência, especialmente com a chegada do novo sistema operativo Wear OS 7, que prometia otimizações nesse campo.

No entanto, o que os números oficiais mostram é precisamente o oposto. Parece que o novo chip da Qualcomm é tão “esfomeado” por energia que devorou por completo o aumento de bateria do Ultra 2. O mesmo cenário repete-se na linha Galaxy Watch 9, onde pequenos incrementos na bateria também não se traduziram em mais horas longe do carregador.

Outras desculpas pelo caminho

A Samsung pode argumentar que o ecrã Super AMOLED do Galaxy Watch Ultra 2 tem um pico de brilho absurdo de 5.000 nits, um salto enorme face aos 3.000 nits da geração passada. É verdade, mas este brilho máximo só é ativado em pequenas zonas do ecrã e por frações de segundo. Será suficiente para aniquilar 35% de bateria extra? Aumentos residuais na resolução do ecrã também não justificam tamanha “hemorragia” energética.

Resta-nos a esperança de que a Samsung tenha apenas recauchutado o material de marketing do ano passado, esquecendo-se de atualizar os números de autonomia, algo que não é descabido, mas pouco abonatório para uma gigante tecnológica.

samsung galaxy watch ultra 2 oficial (2)

O que isto significa para ti

Se estás a ponderar fazer o upgrade apenas pela autonomia, talvez seja melhor carregares no travão. Se tens um Galaxy Watch Ultra, a troca para o Ultra 2 pode ser difícil de justificar caso os ganhos se limitem apenas à performance, mantendo a autonomia inalterada. Teremos de esperar pelos testes reais para perceber se a Samsung atirou poeira para os olhos com os 800mAh, ou se há mesmo algo errado com a eficiência do novo processador Snapdragon.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.