A Sony decidiu assinalar os 10 anos da sua icónica linha de auscultadores XM com um lançamento de peso. Literalmente. Depois de semanas de leaks constantes, os novos 1000X The Collexion são oficiais e prometem redefinir o segmento ultra-premium da marca.
A intenção é clara: colocar no mercado um produto de luxo absoluto. No entanto, a gigante japonesa tomou algumas decisões técnicas e de design que te vão, no mínimo, deixar a coçar a cabeça.
O que precisas de saber
- Design premium, mas pesado: Esquece o plástico. O aço inoxidável e a pele sintética dominam a estrutura, o que atira o peso do headset para umas massivas 320 gramas.
- Hardware de topo com lacunas: Vêm equipados com Bluetooth 6.0, chip V3 melhorado e o fantástico cancelamento de ruído (ANC) da marca. Contudo, perdem na bateria e não têm suporte para áudio via USB-C.
- Um preço que dói: Vão chegar ao mercado com uma etiqueta a rondar os 650 dólares, ultrapassando rivais de luxo como os AirPods Max 2 da Apple.

O que muda no design e no som?
A transição para os 1000X The Collexion grita “premium” por todos os poros. A Sony abandonou finalmente as típicas dobradiças de plástico e apostou num mecanismo giratório em aço inoxidável. O resultado é um aspeto soberbo (disponível apenas em tons muito conservadores de Preto e Platina) e uma perceção de durabilidade muito superior. O grande problema? A balança não perdoa. Tens 320 gramas a pesar-te na cabeça, um salto drástico e pouco ergonómico face às 254 gramas dos práticos WH-1000XM6.
No departamento sonoro, a Sony não fez concessões. Temos o novo chip V3 a trabalhar em conjunto com o DSEE Ultimate, uma tecnologia de IA generativa para áudio que restaura detalhes de ficheiros comprimidos em tempo real. O áudio espacial (360 Reality Audio) também ganha destaque com um botão físico dedicado que te permite alternar de forma imediata entre perfis de estéreo, cinema e gaming. Para garantir o silêncio absoluto, a marca manteve a artilharia pesada: 12 microfones espalhados pelo chassis e um otimizador adaptativo de ANC.
Onde é que a Sony perdeu o rumo?
Aqui entra a verdadeira dor de cabeça deste lançamento. Se o som e a construção impressionam, a vertente prática deixa muito a desejar.
Primeiro, a autonomia levou um golpe severo. A marca promete apenas 24 horas de reprodução com o ANC ligado. É um valor satisfatório? Talvez. Mas fica muito atrás da barreira das 30 horas garantidas pelos próprios WH-1000XM6, que custam substancialmente menos.
Depois, temos a questão inexplicável da conectividade. A Sony dotou estes auscultadores do novíssimo standard Bluetooth 6.0. Até aqui, perfeito. Mas num gadget que te custa quase um salário mínimo, a marca decidiu remover a capacidade de reprodução de áudio diretamente por USB-C. Se quiseres ouvir áudio lossless com fios, vais estar limitado ao velhinho cabo de 3.5 mm. Num ecossistema mobile onde o áudio de alta resolução via USB-C já é o pão nosso de cada dia, isto é um verdadeiro tiro no pé.
O que isto significa para ti
A não ser que sejas um colecionador fanático da marca ou tenhas um orçamento ilimitado para ostentar a edição de aniversário da Sony, podes manter a carteira no bolso.
O design luxuoso e o som ultra refinado são atrativos, sem dúvida, mas as contrapartidas operacionais são demasiado difíceis de engolir. O peso extra vai faturar a fatiga do pescoço em viagens mais longas, a bateria é um downgrade evidente e a ausência de áudio digital por USB-C é apenas frustrante em 2026. Por uma fração do preço, os atuais WH-1000XM6 continuam a ser o verdadeiro flagship que precisas no teu dia a dia. Estes The Collexion são, no fim de contas, uma peça de museu vistosa para os fãs, e não a compra mais lógica para o consumidor exigente.


























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