Odiei pagar o Google One durante anos. Duas novidades recentes mudaram tudo

Se és como eu e a tua vida digital vive ancorada no ecossistema da Google, a subscrição do Google One nunca foi propriamente uma escolha livre. Com milhares de fotografias acumuladas no Google Fotos, centenas de documentos no Drive e um Gmail que nunca para de receber mensagens, pagar por armazenamento extra na nuvem tornou-se, há muito tempo, uma “taxa de oxigénio digital” inevitável.

Sempre paguei o Google One por absoluta necessidade, mas confesso que raramente senti que estava a receber um valor justo pelo meu dinheiro. Durante anos, o serviço pareceu estagnado. Faltavam-lhe funcionalidades apelativas, a estrutura de preços e planos era confusa e, pior do que tudo, nunca pareceu honrar o “One” (Um) do seu nome. A Apple tinha o Apple One, que juntava serviços de música, TV, jogos e armazenamento num único pacote elegante. A Google, por outro lado, cobrava-te o armazenamento de um lado, o YouTube Premium do outro e o Fitbit acolá.

No entanto, nos últimos meses de 2026, assistimos a uma mudança sísmica. A Google começou finalmente a juntar as peças do puzzle, e o Google One tornou-se, subitamente, numa das poucas subscrições que não consigo sequer imaginar cancelar. Não apenas porque preciso do espaço, mas porque o pacote se tornou genuinamente irresistível.

O primeiro passo: A integração da casa inteligente

A primeira grande pista de que os ventos estavam a mudar chegou no final do ano passado. No meio do rebranding do Nest Aware para Google Home Premium, a Google fez um anúncio que passou um pouco despercebido: este serviço passaria a estar incluído de forma gratuita para os subscritores do escalão Google One AI Pro.

Na prática, isto significou que uma subscrição pela qual terias de desembolsar 10 dólares mensais para teres gravações contínuas das tuas câmaras de segurança e funcionalidades avançadas de casa inteligente, passou a ser oferecida no teu plano existente. Para quem, como eu, está a construir uma casa inteligente baseada no ecossistema Google, isto não foi apenas um “brinde agradável”, foi uma injeção de valor tremenda num serviço que antes apenas guardava ficheiros estáticos.

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A estocada final: A revolução na saúde e fitness

Mas foi em maio deste ano que a Google deu a estocada final para me conquistar definitivamente. Com a transição da antiga plataforma Fitbit para o recém-estreado Google Health Premium, a história repetiu-se. A Google voltou a embutir este serviço de saúde premium no plano Google One AI Pro, sem custos adicionais.

O que é que isto te dá na prática? Dá-te acesso integral ao novo treinador de saúde alimentado por Inteligência Artificial (Gemini), análises profundas de monitorização de sono avançada, e acesso ilimitado a vídeos de treino e sessões de meditação guiada. Mais uma vez, um serviço que custa 10 dólares mensais por si só, passa a estar incluído.

A matemática que faz sentido, mas que ainda tem falhas

Vamos fazer as contas rapidamente. Se quisesses subscrever o Home Premium e o Health Premium individualmente, o teu cartão de crédito iria sofrer um rombo de 20 dólares todos os meses. Ora, o plano Google One AI Pro custa, precisamente, 20 dólares mensais.

Essencialmente, a Google conseguiu duplicar (se não triplicar) o valor da sua subscrição de topo num espaço de apenas sete meses. Pelo mesmo preço, além destes dois serviços fundamentais para quem tem câmaras Nest e um Pixel Watch, continuas a receber os colossais 5TB de armazenamento, acesso prioritário às mais recentes inovações do Gemini, cashback na Google Store e ferramentas exclusivas de edição no Fotos.

Claro que nem tudo é um mar de rosas. A Google ainda tem um problema de comunicação gigante com a estrutura dos seus planos. Ter de escolher entre Basic, Standard, Premium, AI Plus, AI Pro e AI Ultra é uma receita para a confusão total do consumidor. E, infelizmente, estas novas integrações fantásticas de Saúde e Casa estão reservadas apenas para os dois planos mais caros, deixando os utilizadores dos planos mais básicos (e mais comuns) a ver navios.

Seja como for, o rumo está traçado. Pela primeira vez na sua história, o Google One está a caminhar para ser o “hub” central e indispensável de tudo o que consumimos na gigante das pesquisas. Se este ritmo continuar e integrarem finalmente descontos no YouTube Premium, arriscam-se a criar a melhor subscrição de tecnologia do mercado.

Amante de tecnologia, desporto, música e muito mais coisas que não cabem em 24 horas. Fundador do AndroidBlog em 2011 e autor no Techenet desde 2012.